quinta-feira, 3 de junho de 2010

15 dias sem cozinha

Começo por dizer que aposto que a maioria já ouviu várias histórias de horror de incêndios na cozinha. Infelizmente aconteceu-nos também...

Há duas semanas atrás estávamos a preparar uma pasta com vieiras e camarões quando aconteceu este problema. Estávamos a preparar o marisco, já tínhamos frito os alhos no azeite e colocámos as vieiras no azeite. Logo aí reparámos que estava algo mal pois começou a fazer muitos salpicos de gordura. Ao reparar nisso pedi à Ângela para ir buscar uma rede circular que usamos para tapar a frigideira quando isto acontece. Enquanto a Ângela se virou e chegou ao armário, toda a frigideira pegou fogo! 

Nestes momentos há sempre um instante em que se avalia a situação e se pensa em tudo o que nunca se deve fazer (como usar água para apagar o fogo). Após esse décimo de segundo  peguei num pano e comecei a tentar abafar o fogo. Logo de seguida a Ângela pegou noutro pano e atirou-o também para cima da frigideira, acabando por abafar por completo o fogo, isto tudo no espaço de 2 ou 3 segundos. Logo de seguida reparámos que a grelha do exaustor também estava a arder e usámos um pano para abafar. Quando tudo terminou retirámos a grelha por completo, para verificar se ainda havia mais alguma coisa a arder lá em cima. Felizmente não havia mas acabámos por assistir a uma cena digna de filme, o motor do exaustor estava a derreter pelos suportes e por consequência a cair, tipo esparguete.IMG_3675 DSC00170Isto tudo não durou mais do que 6 ou 7 segundo mas foi o suficiente para deixar o exaustor inutilizado. É absolutamente impressionante o poder destrutivo de um pequeno incêndio durante apenas alguns segundos. Sinto que na altura fizemos o que era preciso, sem congelar ou perder tempo, e que isso limitou muito os danos causados. No entanto, após isto não pudemos deixar de ficar a pensar no que podia ter acontecido se não estivéssemos à frente do fogão naquele momento ou se estivéssemos distraídos... É melhor não perder muito tempo a pensar nisso...

Entretanto já comprámos um exaustor novo, que também já instalámos, e conseguimos também reparar o nosso forno, que estava com dificuldades há já algum tempo. Finalmente estamos com a cozinha 100% funcional e por isso vamos voltar à carga com mais e novas receitas.

Pequena nota: A Nori também estava na cozinha quando tudo isto aconteceu. O raio da gata estava a dormir e a dormir ficou...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

AC Camargo Global Meeting of Translational Science

Depois de vos ter contado a minha opinião sobre São Paulo chegou a altura de vos falar um pouco sobre o congresso/curso que me levou lá. O curso foi organizado pelo Hospital AC Camargo e financiado pela FAPESP. Segundo o que me disseram concorreram mais de 300 pessoas de todo o mundo para ocupar cerca de 50 lugares. Algo importante e, julgo eu, irrepetível em qualquer outro local, é que nos pagaram todas as despesas de participação, viagem, alimentação completa, alojamento, etc.


O tema era a Ciência Translacional, a área que lida com a transferência de conhecimento da bancada dos laboratórios para a utilização clínica. Para lidar com este tema convidaram também dezenas de speakers internacionais, de áreas que variaram entre a oncologia e as neurociências. As várias sessões foram de nível muito elevado, embora, claro, algumas me dissessem mais que outras.


O congresso durou 2 semanas, como tinha dito num post anterior. Se por um lado esse factor foi responsável pelo estabelecimento de ligações fortes entre os participantes, por outro sinto que a meio da segunda semana já ninguém tinha paciência para mais seminários. Apesar de tudo acho que foi uma boa opção da parte da organização pois o grande objectivo era mesmo o estabelecimento de novas parcerias entre laboratórios.


Resumindo, foi um congresso muito completo, com muita gente interessante, seminários de elevada qualidade e muito conhecimento novo. Agora é só fazer por aproveitar o que lá aprendi.


Só para finalizar queria agradecer à organização, em especial ao Emmanuel Dias-Neto por tudo o que fizeram por nós.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

São Paulo

Já posso dizer que fui a São Paulo e sobrevivi! Até pode parecer que um grande feito mas no fundo não é. Antes de ir toda a gente dizia que aquilo é só crime, que são favelas de ponta a ponta da cidade, enfim, as maiores barbaridades. A São Paulo que eu encontrei é brilhante, arejada, limpa, evoluída, culta e alegre. Eu sei que neste momento podem estar a pensar que só andei de transfer ou táxi e que só pisei em solo seguro, daí a minha boa impressão. Pois enganam-se. Como sabem adoro andar a pé e foi isso mesmo que fiz durante estas duas semanas, quer dizer, isso e assistir ao Congresso.

sao-paulo1(http://adrianasassoon.files.wordpress.com/2009/05/sao-paulo1.jpg)

Andei por avenidas e ruas, lojas e centros comerciais, parques e jardins, de dia ou de noite e muitas vezes de mochila (com o portátil) às costas. Acredito que a cidade tem os seus perigos, tal como qualquer centro urbano, e que como tal existe crime, como é óbvio. No entanto acho totalmente injusto que se digam as barbaridades que me disseram nas semanas que antecederam a minha viagem, parece-me que muitas cidades europeias serão bem mais perigosas para turistas que S. Paulo.

Em todos esses caminhos percorridos encontrei uma cidade com um centro de arranha-céus, rodeada de zonas mais residenciais, umas mais nobres de vivendas e outras de prédios habitacionais. Uma cidade cheia de espaços verdes e árvores nos passeios que impressionam pelo porte e vivacidade, parece que lá estão há mais tempo que os seres humanos.

IMG_3336Uma cidade com um parque, o Ibirapuera, que deslumbra  e encanta pela variedade de vegetação, pela imensidão do espaço e pela vida que tem (estava cheio de gente a passear, fazer desporto, etc. IMG_3385Uma cidade cheia de cultura, com museus fabulosos como o MASP (um dos 20 melhores do mundo) ou o MAM, e livrarias que estão sempre cheias e contêm teatros onde são encenadas peças de nível altíssimo (Livraria Cultura, assisti a 2 peças de teatro lá – A Poltrona escura e A alma imoral). Como a minha amiga Sofia disse tão eloquentemente, o problema é que o Brasil vende-se mal, para fora só exportam futebol, samba e praia e deixam de fora tudo o que têm de bom no seu país.

Claro que nem tudo é lindo em S. Paulo. Num dos dias que tínhamos livre decidimos ir até à praia em Maresias, de autocarro… Tudo bem, até descobrirmos, a meio caminho, que a viagem levava 4:30h… Nessa viagem tive oportunidade de ver os arredores de S. Paulo, e ver aí as famosas favelas. Sinceramente, não são mais bonitas ou feias do que os muitos bairros de lata que ainda povoam tantos recantos do nosso país. Passada essa parte da viagem menos bonita, entrámos na Mata Atlântica, uma parede de selva densa e linda, verdejante e viçosa.

IMG_3238Foi um caminho lindo para a praia, valeu a pena o tempo dispendido. Quanto à praia, Maresias é um sítio fabuloso, uma enseada encostada entre serras, com mar batido, dado ao surf, e uns barzinhos simpáticos que servem caipirinhas em long drink… Quanto ao mar, quente como esperado, nem se dá pelo tempo passar lá dentro. Não ficámos lá muito tempo mas só saímos de lá já de noite e a água continuava óptima. A viagem de volta foi muito mais interessante, com o cansaço acabámos por adormecer e só acordar à chegada à Estação do Tietê.

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IMG_3316Resumindo, foi uma viagem marcante, uma introdução a uma cultura e um povo que eu verdadeiramente desconhecia, e que eu acredito a maior parte dos Portugueses continua a verdadeiramente desconhecer. É um unknown unknown… (quem esteve lá percebe…)

Para breve um pequeno report sobre o Curso em si.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Fim-de-semana na cozinha

Para me entreter, resolvi fazer um pequeno jantar aqui em casa com algumas pessoas conhecidas. Assim o tempo ia passando e eu mergulhada na cozinha. Aproveitei também para pôr a uso umas peças em barro que compramos há umas semanas atrás, são peças de barro muito boas.

Para começar a noite começamos por uma uma alhada de vieiras com gambas seguido de um lombo de porco recheado com espinafres com queijo, acompanhado de arroz selvagem e salada. Não esquecer que foi tudo regado com 2 garrafas de Muralhas. – Obrigada Fernanda.

Segue agora a receita dos pratos:

Alhada de vieiras com gambas

Passar as vieiras e as gambas descascadas por água e secar muito bem com papel de cozinha. Cortar as vieiras ao meio na horizontal.
Temperar as vieiras e as gambas com sal e pimenta e polvilhar com farinha. Sacudir o excesso. Aquecer o azeite numa frigideira, sobre lume forte e introduzir os mariscos. Reduzir o calor para médio e saltear por 2 minutos, virando o marisco. Adicionar alho e o manjericão picadinhos, distribuindo bem. Deixar cozer por mais 2 minutos ou até que as vieiras estejam bem douradas e firmes. Regar com sumo de limão e servir.

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Lombo de Porco Recheado com Espinafres

Nesta receita temos de dar alguns golpes na carne de forma a abri-la. Eu prefiro pedir no talho que façam o trabalho, mas podem fazer os golpes da seguinte forma:

Dar um golpe a todo o comprimento do lombo de porco, a 2/3 da sua altura e até cerca de 2 cm da borda. No sítio onde terminou o golpe, introduzir de novo a faca e cortar em sentido inverso, de forma que ao abrir as abas da carne  e se obtenha um rectângulo.P1130210Espalmar bem a carne e temperar com sal e pimenta.
Cozer 1 embalagem de espinafres congelados em água com um pouco de sal, escorrer muito bem e espalhar os espinafres sobre o lombo de porco. Salpicar com queijo mozzarella, deixando uma orla a toda a volta para que ao enrolarmos a carne o recheio não saia. P1130214Enrolar a carne, apertando o melhor que se puder, esta parte é um pouco mais complicada, e atar com um cordel.

P1130217Colocar o rolo de carne num tabuleiro, esfregar com alhos picados e esmagados e regar com vinho branco, cerca de 1 dl por cada kg. Por cima, do rolo colocar umas nozes de manteiga. P1130222À volta do rolo, coloquei umas cebolinhas descascadas e cortadas ao meio. Levar ao forno numa temperatura média durante cerca de 1 a a hora e meia, virando a carne de vez em quando. Assim que estiver pronto é só servir.P1130228Peço desculpa pelas fotos, sei que a qualidade a que estão habituados não é a mesma, mas falta a mão mágica do maridão. Devo dizer que é muito complicado estar a fazer a comida e tirar fotos em simultâneo.

Infelizmente não deu para fazer nenhuma receita do novo livro da Nigella, mas já li o livro todo e ficaram algumas receitas debaixo de olho. Algo para experimentar dentro em breve.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Com os azeites

Com o Alex fora, tenho estado a tentar arranjar pequenas coisas para ir fazendo, enquanto não é hora para estar à frente do portátil para falar com ele.

Numa dessas horas, passei numa livraria e comprei mais um livro de culinária que andava a namorar algum tempo.P1130196Não sei se já viram na TV o programa de culinária “Nigella Bites”, se não viram aconselho vivamente. Ela é fantástica a trabalhar na cozinha e adoro a forma como ela trabalha todos os ingredientes e o mais importante, ela é capaz de fazer um belíssimo prato em poucos minutos.

Estou mortinha para experimentar as receitas do livro. Com um pouco de sorte ainda sou capaz de o fazer já este fim-de-semana. Vamos ver se tenho tempo.

Foi num dos episódio da semana passada, que a Nigella utilizou um ingrediente que eu há muito, mas mesmo muito tempo não utilizo na culinária aqui de casa. O azeite aromatizado. Podem encontrar muitas qualidades de azeite aromatizado nas lojas gourmet, mas eu antigamente utilizava apenas 2 versões:

azeite com orégãos e azeite com alhoP1130204

Podem também optar por azeite com tomilho, alecrim, louro, manjericão, pimenta, etc. Basta utilizar a imaginação.

Estes azeites são muito bons quer seja para temperar saladas, peixes, pastas e podem ser mesmo utilizados para cozinhar.

Como fazer:

Em primeiro lugar, têm de esterilizar as garrafas, podem coloca-lás numa panela e deixar ferver água, ou o mais fácil, colocar as garrafas no micro-ondas e deixar 30 segundos na temperatura máxima (tenham atenção às partes metálicas).

Colocar dentro das garrafas os aromatizantes, neste caso dentes de alho cortados em quatro com sal marinho e folhas secas de oregãos. Encher as garrafas com azeite, tapar e guardar em local escuro e fresco durante 15 dias.

As duas garrafas já estão feitas e a descansar na dispensa. Agora só falta mesmo os dias passarem para os azeites serem utilizados numa bela salada e num peixinho grelhado.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Brasil

Cheguei. Estou bem. Ainda não falo Brasileiro… Quando tiver tempo digo mais alguma coisa.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Viagem de trabalho

Hoje em dia as nossas vidas estão cada vez mais globalizadas. Isso tem o seu lado positivo e negativo. Como positivo temos a possibilidade de troca fácil de conhecimentos, o contacto com novas formas de pensar e trabalhar. Como negativo temos a vida nómada que tal situação nos obriga a ter. Este domingo parto para S. Paulo para participar na 1st S. Paulo School of Translational Science.

É uma oportunidade excelente de marcar lugar entre 100 cientistas seleccionados nas melhores instituições de investigação do mundo, como Harvard Medical School, Johns Hopkins, MD Anderson Cancer Center, Weill Cornell, etc. Vão investigadores de todo o mundo, desde o Japão, Índia, Europa e Américas. Espero aprender muito, estabelecer novas amizades e contactos de trabalho, resumindo, vai ser uma oportunidade de sonho.

No lado oposto estão os sentimentos de afastamento de casa, que são exacerbados pelo facto de o curso durar 2 semanas. Nunca estive longe da Angie durante tanto tempo e sem dúvida é algo que vai custar. Nós somos muito próximos um do outro, por isso não poder tocar-lhe, beijá-la, estar próximo dela durante 14 dias vai ser a coisa mais custosa que já passei.

Como vêem, parto com sentimentos conflituosos, por um lado excitado pelas oportunidades que podem surgir num evento deste género e por tudo o que posso aprender lá, por outro de coração apertado pela distância física que nos vai separar durante 14 dias. Espero que as videoconferências e telemóveis com roaming possam ajudar a suprir um pouco essa falta.

Até à minha volta! Não… eu vou escrevendo de lá, se tiver tempo…